Há quase 20
anos, um canal. Um incidente. Uma agulha engolida. Um intestino perfurado. Um
transtorno. Um trauma.. Uma restauração mal feita, anos de infiltração. Uma
fratura no assoalho do dente trinta e quatro. Uma extração, duas raízes agarradas,
alguns pontos, sete litros de lágrimas e muito, muito sofrimento, nenhum dia de
atestado. Três noites sem dormir. Quase enlouquecendo, vontade de bater a
cabeça na parede, clínica de urgência. Dez minutos de espera, mais um raio-x,
dois cirurgiões. Muitas anestesias, sangue, sete pontos, mais um raio-x. Cinco
comprimidos de seis em seis horas, compressa de gelo de hora em hora. Uma
semana sem beber, dois dias de atestado, dois dias de repouso. Agora sim, um
dente a menos na boca.
Um
acidente. Uma roldana de ferro cai da prateleira enquanto eu a arrumava no
trabalho. De boca aberta, la se foi 5% do dente 22.
Mais um
acidente. Mais um desastre. Uma égua empacada. Um tombo. Menos 40% do dente 21. Uma
massinha improvisada. Uma quimio. Um dente escuro. Uma cadeira de bar. Uma
escada. Um mal jeito. Meio dente escuro e sem massinha. Um desespero. Uma anja.
Uma nata de acrílico cola a massinha. Um aviso. E so para você passar o final
de semana. Um medo. Um mês se passou. Um namorado desconfiado. Um namorado
desconte com meu dente. Um fim de namoro. Uma ligação para a dentista. Agora
sim, consulta marcada para dia três de outubro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário