Andei pensando a quantidade de vezes que reclamamos por estarmos submetidos a total e absoluta impermanência..
Por vezes desejamos que certas pessoas, coisas e sentimentos nunca se modifiquem, desejamos que permaneçam sempre da mesma maneira ou com a mesma intensidade. Desejamos, por exemplo, que o amor que estamos vivenciando dure para sempre, que a alegria que estamos sentindo não tenha jamais um fim, que a sensação de plenitude e realização que sentimos em determinados momentos permaneça sempre conosco..
Reclamamos constantemente da impermanência a que estamos submetidos e não nos questionamos jamais como seria nossa vida se tudo, absolutamente TUDO, o que nos acontecesse (ou que sentíssemos) fosse permanente..
Imagine tais sentenças:
- Um acesso de riso em momento inoportuno: PERMANENTE.
- Uma crise de enxaqueca: PERMANENTE.
- Uma cólica tenebrosa: PERMANENTE.
- Uma emoção disparatada: PERMANENTE.
- Uma alegria inusitada: PERMANENTE.
- Uma sensação opressora de perda: PERMANENTE.
- Um orgasmo (!!!): PERMANENTE.
- Uma crise de choro: PERMANENTE.
- Uma sensação de orgulho por alguma conquista: PERMANENTE.
- Uma paixão desenfreada: PERMANENTE.
- Uma descarga súbita de adrenalina: PERMANENTE.
...
O que faríamos nós se, de fato, a impermanência não fizesse parte de nossas vidas?
Como abrigaríamos, ao mesmo tempo, tantas emoções, sentimentos, pessoas, atitudes e escolhas?
P.S. apesar de, às vezes, desejar que certas pessoas, sentimentos e situações permaneçam para sempre em minha vida, sigo acreditando que a transitoriedade é, de fato, uma benção..
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