Aos vinte e poucos anos eu imaginava que as crises da vida iriam passar quando eu chegasse nos 30. Ou pelo menos diminuir. Doce engano. Mentira. Pura mentira. Colocamos culpa na TPM, na profissão, nos companheiros ou na calça que não entra mais. Mas raramente admitimos que o problema é nosso. Sabe aquele dia em que tudo dá errado e temos vontade de jogar tudo pro alto e apertar o botão do “foda-se” até o fundo (na esperança dele emperrar e ficar pra sempre apertado)? Pois é... Assim que me sentia numa segunda-feira a tarde qualquer aí pra trás. Um colega de trabalho me chamou até a porta, apontando para o céu. Poderia ter fingido que o som estava alto no fone e não ter levantado a bunda da cadeira de tanto tédio, mas fiquei curiosa. Como a bunda já estava dormente de ficar tanto tempo sentada, tirei o fone e fui lá ver o que havia. Olhei pro céu e lá estavam eles: três tucanos voando livres e felizes de uma árvore a um prédio, cantando e sorrindo! Pode parecer bobagem, mas aquilo me tocou de uma maneira incrível! Puxa... Moro no interior de Minas e tenho o privilégio de ver seres felizes que alguns só conhecem por fotografia ou em viveiros de zoológico! Porque estava mesmo querendo emperrar o botão do foda-se mesmo? Não existe vida perfeita, e talvez essa nem seja a questão a ser levantada. Mas se prestarmos mais atenção e dermos mais valor aos detalhes, a vida pode ser mais fluida. Depois desse dia, tenho parado dois minutinhos da minha rotina pra olhar pro alto, e lá estão eles felizes, livres e sorridentes pra me lembrar que a vida pode ser mais colorida e leve.
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